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APRENDIZADO E DESNUTRIÇÃO

 

 

A alimentação está diretamente ligada  à apropriação do conhecimento, à construção e reconstrução de nossa humanidade a nível social e intelectual.

Ela, quando equilibrada, saudável e em quantidade suficiente ao organismo, é fator  fundamental para o desenvolvimento harmonioso do indivíduo, principalmente na infância e adolescência.

O tipo de alimento que o homem ingere em sua infância e adolescência irá determinar o desenvolvimento intelectual e a saúde do adulto. Os hábitos alimentares são formados principalmente nela e a tendência é que permaneçam durante toda a vida do indivíduo e sejam transmitidos por ele à sua descendência.

O quadro de desnutrição, mesmo quando leve, provoca profunda alteração no organismo humano: diminui a produção de proteínas essenciais à formação de anticorpos, de células sangüíneas de defesa e de preservação e manutenção dos tecidos, dificultando a resistência a doenças corriqueiras. Por isso ficam mais vezes doentes, podendo mesmo morrer de enfermidades às quais as pessoas bem nutridas facilmente possuem defesas, e mais sensíveis a agressões psíquicas e afetivas. A tudo isso se acrescenta o fato de que, a cada quadro de enfermidade, a saúde do desnutrido mais se deprime.

Desta maneira, se se negar ao indivíduo uma alimentação saudável e necessária a seus gastos energéticos, está-se promovendo sua desumanização.

Por outro lado, ao se lhe prejudicar a capacidade de aprendizagem por falta de nutrientes, negação de seu direito de aprender e ter acesso à riqueza cultural desenvolvida pela humanidade ao longo de sua história. Está-se, assim, se lhe negando sua condição humana.

Ele será sempre um indivíduo isolado culturalmente num mundo onde o conhecimento é tudo. Ele perde sua capacidade total de conhecer a maior parte do saber existente: torna-se órfão do saber ancestral.

Ao faminto analfabeto também é dificultado o desenvolvimento de capacidade crítica, ficando ele sem condições e possibilidades de participar conscientemente do processo de transformação social. Por esse motivo são sempre enganados, manobrados por pessoas que não têm compromisso com o social. Tudo seria diferente se eles tivessem comida na mesa e  escola de qualidade, que realmente o preparasse para a vida.

No mundo atual, onde os animais são mais bem alimentados que muitas crianças, é negado ao desnutrido e subnutrido o direito de fazer história.

Onde há criança desnutrida, há família com fome, sem autonomia por vezes, de gerir a própria vida.

Daí a importância da escola na formação do ser humano.

A criança passa praticamente um quarto de sua vida escolar em sala de aula e é lá que aprende a maior parte dos hábitos socialmente aceitáveis. É, pois, aí que se deve lhe proporcionar conhecimentos e práticas fundamentais para uma alimentação correta, nutritiva, diversificada e, principalmente, barata.

Essas noções de alimentação começam em uma merenda escolar diversificada onde se possa aproveitar o máximo dos alimentos, inclusive de sua reciclagem.

A criança normalmente aprecia mexer na terra e manusear mudas. Isso fará com que esteja altamente motivada para aulas práticas na horta escolar e, lá, ao ter aulas práticas sobre vegetais, criará novos hábitos de consumo, visto que, ao final do ciclo produtivo, irá querer consumir o resultado de seu trabalho.

A instrução dada às famílias sobre hábitos alimentares torna-se também muito importante. Deve-se promover cursos para os pais sobre o que seja uma alimentação saudável e natural, assim como preveni-los sobre as conseqüências advindas da ausência dela.

Essa educação, de alunos e seus pais, deve ser iniciada nos primeiros anos de escolaridade fundamental e se prolongar até os últimos.

É natural que crianças, por vezes, não gostem de comer certas frutas e verduras. Isso se deve muito aos hábitos alimentares dos pais. Se eles consumirem esses alimentos e elogiarem seu sabor no momento em que os estão comendo, a criança certamente irá querer experimentá-las.

Se isso não acontece, haverá maior dificuldade na escola para a mudança de hábitos alimentares. Por isso a necessidade da orientação também dada aos pais.

Por outro lado, quando aprendem na escola o valor dos vegetais e seu aproveitamento total, levam essas idéias para seus lares e pressionam os pais a experimentarem este ou aquele tipo de preparação do alimento, introduzindo, assim o hábito na família e se tornando seus multiplicadores.

Estudos demonstraram que as deficiências nutricionais estão freqüentemente associadas às perturbações de aprendizagem e aos problemas cognitivos do aluno. Uma criança bem alimentada chega à escola alegre, disposta, aprende com facilidade; uma com fome, ao contrário, não consegue se concentrar, fica inquieta, nervosa, sonolenta, apática e tem dificuldades de aprendizagem, pois estão mais interessadas na comida servida na merenda que na disciplina dada. Isso determina alterações, por vezes graves, no rendimento escolar e no comportamento da criança.

É comum que se encontre professores do ensino fundamental queixando-se de seus alunos: são desatentos, agressivos, inquietos, desanimados e, às vezes sonolentos. É quando o aluno sente enjôo, tem dor de cabeça, transpiração excessiva, tonturas e visão turva, sintomas característicos da fome.

Às crianças que abandonam a escola para trabalhar e satisfazer sua fome, ou que a ela nunca foram, as analfabetas funcionais ou não, é negado o direito de acesso aos fatores culturais e, por vezes, sociais, básicos. 

Eles são aqueles 40% que produzem a maior parte das riquezas nacionais, mas só têm acesso a 7% da renda total da nação, com filhos que dificilmente vão à escola e, quando vão, raramente conseguem concluir o primeiro grau.

No Brasil há, entre analfabetos semialfabetizados e com o primeiro grau incompleto, cerca de 53 milhões de indivíduos. Pode-se vislumbrar aí o problema da fome que ronda o país, pois com esse grau de escolaridade dificilmente irão conseguir um emprego digno e compensatório.

No entanto, mesmo tendo diante dos olhos a realidade, ainda existe muita polêmica entre a fome e desnutrição e o processo de aprendizagem, altos níveis de repetência e abandono, e o fracasso escolar observado nas escolas públicas brasileiras.

Há teorias que afirmam que a causa do fracasso escolar se deve a seqüelas produzidas no sistema nervoso central de crianças submetidas à desnutrição nos dois primeiros anos de vida; ou ainda desde o útero da mãe desnutrida, que se alimentam inadequadamente.

A verdade é que criança ,ou mesmo o adulto, desnutrida, mesmo que não tenham lesões estruturais ou funcionais no sistema nervoso, apresentam um quadro de apatia, diminuição das atividades físicas e psicomotoras, alteração de afeto e humor. Por esse motivo é progressivamente afastada do mundo e das pessoas que a cercam, tornando-se incapaz de uma interação ativa com o meio social.

Tal distanciamento psíquico, afetivo e físico do ambiente que a cerca pode se agravar e se prolongar por todo o período de agravamento ou recuperação de um quadro de desnutrição, desempenhando papel importante nos distúrbios da aprendizagem.

O termo "fome do dia" foi criado para expressar aquelas sensações ligadas à falta de alimentação ou a existência de períodos muito longos entre duas refeições mesmo em pessoas não desnutridas. Esses períodos determinam a diminuição dos níveis de glicose no sangue, o que provoca irritabilidade e mal-estar. Esse quadro é outro elemento que prejudica o processo de aprendizagem.

Existem também alguns estudos que contestam em parte a tese da dificuldade associada à alimentação.

No entanto, a tese por nós adotada, reforçada pela observação, experiência e vivência, é a de que uma nutrição adequada é de suma importância à aprendizagem e mesmo durante toda a vida.

No entanto, não podemos rotular crianças e adultos portadores de algum tipo de distúrbio de aprendizagem, como também portadores de lesões neurológicas irreversíveis decorrentes de processos de desnutrição. Outros fatores sociais e psíquicos também podem determinar o surgimento de dificuldades na aprendizagem. Mas múltiplos estudos científicos confirmam a relação existente entre a desnutrição e a aprendizagem.

Esses estudos comprovam, entre outras coisas, que crianças com quadro de desnutrição ou subnutrição nos primeiros anos de vida, que apresentam problemas de desenvolvimento motor e cognitivo na escola, podem ter esse quadro revertido quando alimentados adequadamente.

Isso traz esperanças de que haja uma conscientização do governo e da sociedade no sentido de que se faça uma campanha de conscientização geral para uma alimentação mais adequada. E, nesta campanha, considerando que a população desnutrida é exatamente a mais pobre a com maiores dificuldades de acesso aos alimentos, deve-se destacar um papel predominante ao aproveitamento total de vegetais e à reciclagem de alimentos.


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