Clique com o botão direito do mouse antes de copiar qualquer coisa .

EM DEFESA DA ERVAS

 

 

O homem primitivo sempre se utilizou ervas, seja como alimento, seja como medicamento, veneno ou mesmo proteção contra as intempéries.

No início ele só as coletava, observava os animais para saber quais eram comestíveis, quais não. É de se imaginar que muitos tenham ficado doentes ou mesmo morrido em experimentações degustativas de ervas desconhecidas.

Mas, de experiência em experiência, de observação em observação, ele ficou conhecendo as ervas e as aproveitando para os mais diversos fins.

Era a experiência gerando a cultura.

Nessa observação, notou que a semente que caía do fruto com que se alimentava ou a raiz enterrada para posterior aproveitamento, ou ainda o graveto verde jogado num canto, brotava, crescia e dava o mesmo tipo de fruto que comera.

A partir dessas observações surgem os princípios da agricultura.

Aquele homem primitivo que observara o fato passa seus conhecimentos a outros e todos se reúnem para colocar na terra a semente. Esperam e vêem que não mais havia necessidade de percorrer grandes distâncias para conseguir o alimento. Podiam plantá-lo e permanecer no mesmo lugar.

É quando o homem deixa de ser o nômade catador de frutos e folhas comestíveis e passa a ser gregário, construindo seus abrigos próximos ao roçado. São os primeiros povoados e a primeira grupo social, mais complexo que a família. que nasce.

Na luta que se seguiu, ele notou que o sol, a chuva, os ventos, o calor e o tipo de solo determinavam um maior ou menor crescimento das plantas.

Notou também que determinada época era melhor que outras para a cultura de determinado vegetal e passou a transmitir esse conhecimento para a geração seguinte. E deste conhecimento nasceram algumas crenças religiosas, tabus e, principalmente, um calendário.

Para poder plantar e colher era necessário que existissem instrumentos próprios para tal.

Ele colocou sua criatividade em ação e os construiu de pedra, osso ou madeira. Se antes colhia o trigo batendo na planta e recolhendo os grãos que caíam, agora usava a foice ou a faca por ele inventada para cortar a planta e bater em um local onde pudesse aproveitar todos os grãos. Se antes precisava usar as mãos para escavar o sulco onde seriam colocadas as sementes, agora utilizava um bastão ou mesmo um galho bifurcado puxado por bois — o primeiro arado.

E assim os conhecimentos adquiridos foram-se acumulando e transmitidos a novas gerações, seja sobre a melhor maneira de plantar, que ervas deveriam ser cultivadas e em que época do ano, seja como fazer um recipiente de pedra ou de barro para armazenar o alimento, ou ainda como construir uma cabana.

Foram esses conhecimentos acumulados através dos tempos que iniciaram a cultura complexa dos dias de hoje. Foi dessa luta pela sobrevivência, por vezes inglória, do homem primitivo que se tem conhecimento das plantas que servem como alimento e seu valor nutricional, assim como aquelas que servem de medicamento ou veneno.

Ainda hoje muitos povos usam o modo primitivo de plantar, assim como sabem a planta que deve ou não ser plantada junto a ela para que as pragas não a dizimem.

Hoje, os que se dizem civilizados perderam essa simplicidade que os povos primitivos possuem. Perderam sua inocência quando passaram a cultivar mega-plantações e as defender com produtos químicos. Não vêem que o mesmo produto que mata a praga também mata o inseto que poderia servir para proteger a plantação, além de contaminar o solo e mesmo quem consome a colheita.

Sabe-se o quanto é difícil alimentar milhões de pessoas que se multiplicam sem cessar: mas, segundo a FAO, o percentual de aumento de produção de alimentos é superior ao de aumento da população.

Assim o quadro não é tão grave.

O que é necessário é que se façam mais estudos sobre defesas agrícolas naturais. Há certas plantas que, plantadas junto à cultura principal, atraem as pragas, deixando a primeira livre delas.

É necessário que recuperemos a inocência pedida e nos voltemos às técnicas de combate às pragas do homem primitivo.

O homem moderno é perdulário. O desperdício de maneira geral é grande e cada vez mais aumenta e uma das causas disso é a superprodução de bens baratos. Ele desperdiça porque não tem consciência de que um dia aquilo que joga fora poderá faltar.

Isso também acontece com os vegetais que consome.

Levado pelo costume, por tabus alimentares, ele despreza o que poderia ser aproveitado.

Em contraponto, a indústria alimentar moderna não possui nenhum interesse em estudar as plantas e suas propriedades, a não ser que seja farmacêutica. O lucro é mais interessante que a saúde. O lucro é da empresa; os gastos com a saúde, da sociedade, representada pelo governo.

Na literatura médica há referências ao fato de mexer com a terra ser um ótimo remédio contra o stress, mas o homem atual, em vez de ir ao lado de sua casa ou montar uns simples vasinhos na varanda do apartamento e cultivá-lo com temperos, prefere ir até a farmácia comprar um medicamento que, por vezes, possui sua origem naquela mesma erva.

Por outro lado, numa sociedade em que a poupança por princípios econômicos ou necessidade faz toda a diferença, ele deixa de aproveitar o alimento em sua totalidade.

Se conhecesse essa realidade, talvez deixasse de lançar folha de vegetais, talos, raízes, semente e flores no lixo e os aproveitasse na elaboração de sua alimentação diária.

Ecologistas lutam para esse retorno. Não nos moldes primitivos, mas em seus princípios básicos.

A sociedade, como já vem fazendo em certas regiões do mundo contra a produção de energia atômica, deve reagir e lutar contra esta situação.

Em seu alimento é que encontra sua saúde ou sua doença, quando impregnado de produtos químicos.

A agricultura dita natural já possui grande número de adeptos, tanto que o próprio comércio já está se rendendo a esse fato. Hoje as pessoas não se preocupam tanto em pagar um preço maior por vegetais mais saudáveis.

O que se faz necessário, e com urgência, é uma educação voltada ao uso mais racional e saudável dos alimentos, a uma maior e mais natural economia alimentar.

Certamente é uma empreitada difícil. Os próprios governos parecem, levados pela economia de mercado e pelos trustes das diversas empresas que lidam com alimentos e produtos farmacêuticos, não ter interesse que isso aconteça

Fica, portanto para os cidadãos conscientes e responsáveis o despertar e o educar para o problema. É a eles que cabe deixar uma herança mais saudável e econômica a seus filhos


 

Sumário Em defesa das ervas Breve história das ervas Desperdício de alimentos Educação ambiental
Aprendizado e desnutrição Reciclagem de alimentos Relato de caso Condimentos e especiarias E-Mail
FEREAL:Imagens Receitas e dicas Palavras finais Bibliografia